discussão

a causa da morte e o tipo sanguíneo ABO só foram identificados nos relatórios dos dadores eficazes, o que tornou impossível associar estas variáveis à dádiva efectiva entre os dadores elegíveis. Além disso, as limitações do estudo incluem a ausência de motivos específicos em alguns dos protocolos BD não concluídos, As doações incompletas e a falta de identificação das razões da recusa familiar.este estudo verificou os pontos fortes e fracos do processo de doação no Estado do Paraná e analisou a eficácia da doação de órgãos. Estes resultados podem apoiar a gestão na formulação de políticas e ações públicas para melhorar o processo de doação de órgãos e, assim, reduzir as listas de espera para transplantes.a paragem cardiopulmonar (CPA) torna inviável a doação de órgãos sólidos e foi indicada neste estudo como a principal causa para a não conclusão dos protocolos BD (13,1%). Estima-se que 10% a 20% dos potenciais dadores evoluirão para a CPA antes da remoção dos seus órgãos(11), o que corrobora a taxa obtida no presente inquérito.no entanto, a literatura indica que os protocolos BD que duram mais de 30 horas geralmente apresentam uma maior percentagem de parada cardíaca.(12) é fundamental optimizar desta vez e implementar acções para manter a estabilidade fisiológica do doente, aumentando assim o número de dadores de órgãos e a viabilidade dos órgãos potencialmente transplantáveis.(13) em alguns países, o dador elegível é mantido em bypass cardiopulmonar, que preserva os órgãos após a CPA e garante taxas de doação até 100%. No entanto, esta prática não é amplamente divulgada devido à controversa questão ética e à ausência de orientações e legislação para estes casos.(14,15)

no que diz respeito às causas de inelegibilidade para doar órgãos no Estado do Paraná, a principal razão encontrada foi a sépsis (5,2%). Como se sabe, uma avaliação clínica e laboratorial do potencial doador de órgãos é essencial para evitar a transmissão de patologias e garantir enxertos de qualidade.(16) no entanto, existem processos fisiológicos semelhantes na sépsis e na BD, que podem conduzir a um diagnóstico incorrecto.(17) além disso, se o indivíduo for hemodinamicamente estável e utilizar antimicrobianos, a septicemia não inviabiliza a dádiva. Estudos de coorte realizados com doentes que receberam um transplante de dadores com sépsis identificaram que a transmissão não ocorreu entre os que receberam terapêutica antibiótica adequada durante pelo menos sete dias.(18-20) por esta razão, os OPOs no Paraná analisam cuidadosamente os resultados clínicos dos pacientes, juntamente com os profissionais de CIHDOTT, a fim de verificar a viabilidade da doação para estes casos.(16)

relativamente às razões para não doar órgãos entre os doadores elegíveis, a recusa familiar foi classificada em primeiro lugar com 37,3%. A recusa familiar é a principal razão pela qual um órgão não é doado no Brasil e no exterior, com taxas que variam de 5,7 a 41,4% nos países europeus, e 27,5 a 48,9% nos países da América Latina,(21) com uma taxa de 43% no Brasil no final de 2016.(16) existem muitas razões que motivam as famílias a recusar a doação, tais como o medo da mutilação do corpo e a insegurança sobre o diagnóstico BD, ou seja, a família tem dificuldade em compreender que um corpo com batimento cardíaco, respiração (com a ajuda de aparelhos) e com temperatura normal está morto.(22,23) portanto, o cuidado familiar é importante durante o processo de diagnóstico para esclarecer todas as dúvidas possíveis, para que a família se sinta segura para tomar sua decisão com conhecimento e autonomia. Outra razão comum é que o doador expressou oposição à doação de órgãos durante a sua vida ou a família não sabe os desejos do doador sobre a doação,(22,23), o que destaca a importância do diálogo dentro da família sobre o tema da doação de órgãos, uma vez que, se o desejo do doador é conhecido, a tomada de decisões é mais fácil.

Assim, os pontos fracos do processo em relação a inadequada manutenção do potencial doador, o adequado estabelecimento de contra-indicações e família consentimento demonstrar a relevância de uma educação permanente para os profissionais envolvidos, desde quando os profissionais são treinados e entender o processo e os fatores que influenciam o resultado, eles são capazes de intervir de forma adequada, a fim de favorecer a doação de órgãos.as doações efetivas foram maiores em homens e doadores mais jovens, resultados semelhantes aos de outros estudos brasileiros.(24,25) esta predominância pode ser justificada pelas prováveis alterações no perfil dos potenciais doadores, uma vez que as causas externas (acidentes e violência) se destacam e ocorrem predominantemente entre os homens, com ênfase no BI como origem do BD.(17,23,25)

No Paraná, as chances de efetiva as doações aumentaram significativamente a cada ano analisado, com um aumento global de 320.7% em números absolutos e 71.4% na proporção de eficácia. Em 2016, o estado apresentou uma taxa de doadores efetivos de 30,9 pmp, enquanto a taxa brasileira foi de 14,6 pmp. Isso coloca o Paraná em uma posição de destaque no cenário nacional, com um valor semelhante aos países com as melhores taxas do mundo.(7) esta alta taxa pode estar relacionada com o SET-PR, que estimula e investe na formação contínua de profissionais que trabalham no processo de doação estatal, considerando isso como a chave para alcançar um melhor desempenho.(26) Quando o profissional que trabalha neste processo tem mais Formação, as possibilidades de eficácia em matéria de dádiva aumentam, uma vez que a falta de conhecimento e a falta de preparação para prestar assistência ao potencial dador já foram apontadas como um obstáculo importante no processo.(27) apesar de não apresentar uma diferença significativa, o terceiro trimestre teve uma maior percentagem de doadores em comparação com os outros. Este fato pode estar relacionado com o Dia Nacional de doação de órgãos e tecidos, em 27 de setembro, e as campanhas para esclarecer a doação de órgãos que ocorrem nesse mês. Estudos indicaram que o marketing social é uma estratégia essencial para conscientizar sobre a doação de órgãos, pois permite refletir sobre sua importância, promove o diálogo familiar sobre a finitude da vida e favorece o consentimento da doação.(28,29)

entre as Macro-regiões do Estado, As macro-regiões Oeste e Leste apresentaram melhores resultados em relação a doações efetivas. Esta constatação pode estar relacionada com o número de credenciados pela CIHDOTT, por causa das 90 instituições, 43 estão nas Macro-regiões leste e Oeste. Também pode ser porque são os mais populosos e têm mais hospitais com boas infra-estruturas, o que é um fator essencial no processo de doação.(30) note-se que, embora a SET-PR incentive a formação profissional das equipas, os coordenadores locais dos OPOs têm autonomia para definir o funcionamento da formação, a frequência e os temas escolhidos.(16) Assim, a não homogeneidade das acções pode ter favorecido o desenvolvimento de algumas regiões em oposição a outras.

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